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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Que inveja boa, painho!!


Foto: Cláudio Fachel - Secom/RS

Em uma série de 10 encontros, percorrendo em quatro meses todas as regiões do RS, a Diretoria de Políticas Públicas da Secom promoveu um amplo debate sobre comunicação. Nos Seminários Comunicação em Pauta - O que já mudou e o que precisa mudar, um dos temas sobre os quais a população gaúcha teve oportunidade de opinar foi a criação de um Conselho Estadual de Comunicação. Na foto, a edição estadual que encerrou o Seminário, em Porto Alegre, em 8 de dezembro. A palestra de abertura ficou por conta do secretário de Comunicação da Bahia, Robinson Almeida (ao microfone), que falou da recente criação do primeiro Conselho Estadual de Comunicação no País, o da Bahia.

Conselho de Comunicação não é censura, diz Tarso

Um Grupo de Trabalho formado por conselheiros técnicos e representantes do Governo, no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), será responsável pela elaboração do Projeto de Lei que o Executivo deve apresentar à Assembleia Legislativa, em 2012, para a criação do Conselho Estadual de Comunicação do RS. Na proposta apresentada pela Câmara Temática Cultura e Comunicação e aprovada pelo Conselhão, instituições e organizações públicas e privadas, incluindo-se aí as empresas de comunicação, entidades da sociedade civil organizada e dos trabalhadores em comunicação, estariam representadas no Conselho de Comunicação gaúcho. 

Já no seu Programa de Governo, divulgado durante a campanha eleitoral de 2010, Tarso Genro colocava a disposição em implementar um Conselho de Comunicação no Estado. Na última reunião do Pleno do CDES em 2011, realizada no dia 1º de dezembro, o chefe do Executivo fez questão de frisar que não há intenção alguma, por parte do Governo, de avaliar ou censurar qualquer veículo de comunicação: "O que nós queremos é ampliar o acesso das pessoas aos meios de comunicação e discutir políticas públicas de inclusão digital e o papel das novas formas de comunicação”. 

A criação do Conselho de Comunicação no Estado é uma das prioridades da Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital (Secom) e consta no rol dos principais projetos do Executivo que cada pasta elencou para monitoramento da Sala de Gestão do Governo. Segundo a titular da Secom, Vera Spolidoro, a importância do Conselho de Comunicação está no fato de ser um órgão independente, com caráter consultivo e que, “mais do que apenas ampliar o diálogo entre governo e sociedade, vai atuar na defesa do interesse público no que diz respeito às ações de comunicação que partirem do Executivo”. 

Participam da Câmara Temática Cultura e Comunicação, que elaborou a proposta de formatação do Conselho de Comunicação, os conselheiros Celso Schröeder, Luis Augusto Fischer, Ercy Pereira Torma, Giba Assis Brasil , Guiomar Vidor, João Batista Xavier da Silva, Maria Helena Weber, além dos conselheiros técnicos José Nunes, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, Christa Berger e Jaime Lerner. 

Carla Kunze 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Tarso Genro mora na filosofia

Como este blog não tem medo nem arrependimento por ser chapa-branca, tomo a liberdade de publicar o brilhante discurso do nosso governador Tarso Genro na abertura do Congresso Nacional da Campanha do Ministério Público Brasileiro contra a Corrupção, na sede do MP gaúcho. O texto foi publicado hoje no site de notícias Sul 21.


A questão da corrupção e o garantismo

Devo arriscar uma investida na filosofia, em primeiro lugar, para refletir sobre a categoria da “mediação”. Não sendo um acadêmico e muito menos um filósofo posso dar uma contribuição limitada neste terreno, mas devo arriscar para perseguir de perto a clareza na minha exposição.

A “mediação” é uma categoria filosófica que está no centro da teoria epistemológica, logo é um artifício dialético, é uma construção “pensada” para, através de um ardil da inteligência, aproximar sujeito e objeto, fato e norma, conhecimento e ação. A mediação pode ser física, epistêmica ou lógica, mas sempre supõe vínculos com um imediato ou uma preparação do pensamento para desvendar ou interferir sobre um determinado objeto.

As instituições do Estado fazem a “mediação” entre os direitos da cidadania (seus direitos subjetivos) e os direitos fundamentais, sobre os quais se ergue a constituição política. A arte faz a mediação entre a experiência do sujeito tomado na sua singularidade e as questões universais do gênero humano. Os partidos são os mediadores políticos das dos grupos sociais, para ações e pretensões sobre o Estado. O Ministério Público é o mediador, entre a pretensão punitiva do Estado e o fato delituoso ou uma pretensão do sujeito individual ou coletivo. A mídia (mídia – mediação), faz a mediação entre o fato acontecido e o seu conhecimento pelo público. A mediação, portanto, como categoria epistemológica, é uma engenhosidade dos humanos para promoverem a socialização da sua humanidade.

Gianfranco Pasquino, companheiro de Norberto Bobbio na produção do magistral “Dicionário de Política”[1], diz que “o fenômeno da Corrupção acentua-se (…) com a existência de um sistema representativo imperfeito e com o acesso discriminatório ao poder de decisão. A última variável assenta no grau de segurança de que goza a elite que está no poder. Quanto mais esta se sentir segura de conservar ou reconquistar o poder por meios legais ou recear ser punida usando meios ilegais, tanto menor será a Corrupção. Quanto mais ameaçada se sentir, tanto mais a elite recorrerá a meios ilegais e à Corrupção para se manter no poder”.

A visão de Pasquino, excessivamente hobbesiana para o meu gosto, não deixa de ser fulgurante. Pelo menos para verificar sintomas de crise do Estado de Direito no capitalismo tardio. A arqueologia, desta visão de Pasquino, baseia-se numa “ciência do direito”, que pretende promover a máxima previsibilidade e exatidão no funcionamento das instituições da democracia.

Parece óbvio, porém – mas um óbvio “descuidado” por esta mesma visão “científica” - que as instituições do estado não existem por si mesmas. Elas são pura forma (previsão ficta), que só passa a existir tendo um conteúdo, portanto, tendo movimento, quando preenchidas por homens concretos que explicitam aquela forma. A instituição como forma é um espaço normatizado, cuja existência real é o movimento dado a ela por seres sociais concretos.

Tratar seriamente da questão da corrupção na atualidade, principalmente nos países do capitalismo tardio exige, portanto, uma espécie de “pré-compreensão” racional do significado da corrupção, ação perversa que não aceita a mediação contida nas instituições públicas para alcançar um determinado fim.

E isso se torna mais problemático no âmbito da política particular do Estado de Direito Democrático que vivemos: um Estado de Direito jovem, numa formação social de capitalismo tardio, ordenado por normas constitucionais de efetividade limitada.

Passarei a utilizar aqui o vocábulo “corrupção”, como categoria jurídica, cujo tipo genérico é a “conduta praticada em desrespeito aos deveres formais da função pública em troca de benefícios particulares (para si ou para terceiro) econômicos ou de “status”, ou em descumprimento de normas orientadas a evitar influências particulares”[2]. Esta “conduta” dissemina-se em vários tipos penais, previstos em normas que abrangem, desde certo comportamento de servidores públicos – os homens concretos que são o cerne da instituição - até a sua conexão com a “lavagem de dinheiro”, destinada a corromper servidores, “comprar” favores de agentes políticos ou financiar partidos[3], na oposição ou no governo.

A corrupção, no que refere aos seus tipos penais mais graves e mais constantes para abalar o Estado Constitucional, transita, hoje, da condição de “crime comum”, julgado pelos Tribunais ordinários e com jurisdição penal previsível, para a condição de “crime político”, julgado de fato, por Tribunais “de exceção”. Regredimos, assim, mesmo dentro do Estado de Direito em pleno funcionamento, para uma situação excepcional, que tende a tornar cada vez mais impotente a ação do Ministério Público e cada vez menos relevante a função do Poder Judiciário.

A previsibilidade e a exatidão da ciência do direito, projetada no Estado de Direito contemporâneo, está sendo relegada pelo surgimento de um sistema de poderes e de justiça paralelos. Para que isso ocorra, torna-se uma necessidade dar um outro estatuto, um estatuto de “dignidade” à corrupção. Como? Fazendo-a transitar do seu caráter de crime comum, em sentido estrito, ao estatuto de crime político, em sentido lato. Ou seja, o crime de corrupção, transformado em crime “político” dá uma condição especial aos delinquentes comuns, permitindo que eles se abriguem na proteção que a democracia deve conceder aos agentes políticos para o exercício da política.

Explico-me[4]: o surgimento de uma “ciência do direito” na modernidade madura, entendida como período contemporâneo (já que a modernidade como momento histórico-universal inicia no século XV), vem marcado pela busca da exatidão e da máxima previsibilidade. Esta exatidão e previsibilidade foi diluida, na sociedade da informação, por um inquisitório, processamento e julgamento, socialmente aceito, ideterminado e excitante, fora do âmbito do estado.

Aquelas exigências formais destinadas a promover o funcionamento estável da sociedade e a perfeição dos contratos, que constituem a garantia dos direitos fundamentais e a base do processo de acumulação do capital, fenecem, e são substituídas por normas fáticas e sanções informais eficazes, através dos aparatos de comunicação e informação.

A tese que acima explicito vem da realidade do Estado Moderno, que se depara com as seguintes condições nos países do capitalismo tardio: os casos mais graves e emblemáticos de corrupção são investigados pela mídia e apresentados publicamente à sociedade segundo a convicção (ou interesse) das grandes cadeias de comunicação. Neste procedimento inquisitório, o próprio Ministério Público e a Polícia, ordinariamente são julgados por ela - sem quaisquer critérios de especialização ou conhecimento – e os “réus” são julgados previamente e expostos à sociedade, pelo Tribunal “comunicacional”.

As penas são condenações políticas de larga difusão pública, com pesadas consequências nos destinos da sociedade política, sejam elas formalizadas ou não. E mais: o perdão da “pena” política pode ser (e às vezes o é), concedido pela própria mídia. Tudo segundo a visão de mundo dos seus controladores. Visão esta que, pontualmente, é “justa” ou “injusta”, mas sempre acolhida pela “opinião pública”, embora tudo seja feito sem qualquer técnica previsível para defesa ou respeito aos direitos originários do garantismo jurídico.

Como já asseverou Nilo Batista, “cumpre reconhecer que quando o jornalismo deixa de ser uma narrativa com pretensão de fidedignidade sobre a investigação de um crime ou sobre um processo em curso, e assume diretamente a função investigatória ou promove uma reconstrução dramatizada do caso – de alcance e repercussão fantasticamente superiores à reconstrução processual -, passou a atuar politicamente.”[5]

Prossegue o autor: “(…) o discurso criminológico midiático pretende constituir-se em instrumento de análise dos conflitos sociais e das instituições públicas, e procura fundamentar-se numa ética simplista (a “ética da paz”) e numa história ficcional (um passado urbano cordial; saudades do que nunca existiu, aquilo que Gizlene Neder chamou de “utopias urbanas retrógradas”). O maior ganho tático de tal discurso está em poder exercer-se como discurso de lei e ordem com sabor “politicamente correto”. Naturalmente, esse discurso admite aliar-se a outros que não lhe reneguem o ponto de partida: a modernidade realizou-se plenamente, suas promessas estão cumpridas, e se o resultado final é decepcionante, tratemos de atenuá-lo pela caridade, pelo voluntariado, por campanhas publicitárias (…).”[6]

Há em andamento, pois, com estes mecanismos paralelos de justiçamento arbitrário, uma espécie de fascismo “pós-moderno”. O conteúdo enterra a forma. A informação substitui a instituição. O juízo público, político, do comunicador, pune e perdoa. Como disse Mussolini no fim da Marcha sobre Roma: “a ação enterrou a filosofia”. Este processo comunicacional faz vibrar a classe média ingênua ou interessada e também os adversários políticos dos “condenados”, seja de que partido forem. Todos esquecem que podem ser os próximos réus do justiçamento paralelo, que não se realiza pela vocação do justo, mas pela disputa que ocorre no mercado da informação, tornada objeto alienado dos seus próprios “investigadores”.

Os aparatos de investigação nas ditaduras e os tribunais de exceção, que lhes eram correlatos, foram substituídos por tribunais de fato, de caráter midiático. Suas “investigações” são feitas pelos repórteres competentes ou incompetentes, mas sempre ansiosos por evidência profissional. Os resultados são comentados por indivíduos que, independentemente das suas convicções pessoais, são agentes do mercado de informações, que excepcionalmente dispõem de algum conhecimento de Direito Penal e que fazem o seu trabalho sempre em contextos altamente politizados. Nestes, os grupos midiáticos assumem posições políticas de antagonismo ou de favorabilidade a determinados governos ou partidos, tratando com “medidas” diferentes seus aliados ou supostos inimigos.

A corrupção passou a ser o principal elemento da agenda política, que deixa em segundo plano a questão da tutela do capital financeiro sobre a vida pública e o Estado, as políticas de extinção ou redução dos direitos sociais, o sistema político e eleitoral que alimenta a corrupção, os crimes dos Estados ricos cometidos contra as suas antigas colônias e outras questões chaves para a efetividade do pacto democrático. Esta é a grande questão que enfrenta o Ministério Público e todos aqueles que querem efetivamente combater a corrupção no país, que, neste processo, foi nobremente transformada em “crime político”.

O delito, assim, foi formatado em mercadoria na concorrência midiática. A “publicidade” do “processo”, assim, é controlada por um sistema de informações, que tanto pode ter a intenção de ocultar os fatos objetivamente investigados, como de torná-los superlativos, segundo a tendência política momentânea dos grupos de comunicação. Ao contrário do que é exigível, constitucionalmente, a publicidade autocrática dos meios de comunicação abala a segurança jurídica e privatiza o processo penal pela sua midiatização.

Esta perversão da investigação e do processo penal também gera “fontes”, dentro do sistema policial, do Ministério Público e do Poder Judiciário, que (embora excepcionais) ajudam a mercantilizar o poder punitivo do Estado e a envolver o garantismo no jogo político dos partidos. Estes, também cortejam o poder midiático para transitar seus interesses, sejam eles legítimos ou ilegítimos.

Kelsen diz que “como a democracia tende fundamentalmente para a seguridade jurídica e, portanto, para a legalidade e previsibilidade das funções estatais, existe nela uma poderosa inclinação a criar organizações de controle, que sirvam de garantia da legalidade. Destas garantias, a mais firme está no princípio de publicidade”. (…) “Em lugar da claridade, impera, na autocracia, a tendência a ocultar: ausência de medidas de controle – que não serviriam mais do que por freios a ação do Estado -, e nada de publicidade, senão o empenho de manter o temor e robustecer a disciplina dos funcionários e a obediência dos súditos, no interesse da autoridade do Estado”.[7] Este processo de constituição de uma “publicidade” articulada fora do âmbito do Estado é, na verdade, um ocultamento do verdadeiro processo, para os acusados, pois eles não se defendem de um processo judicial, mas daquilo que lhe é imputado por uma publicidade que não respeita suas garantias.

Lembro um texto de uma jornalista excepcional, Maria Inês Nassif: “É tênue a linha que separa o julgamento sumário – pelo Estado ou por instituições que assumem para si o papel de guardiães plenipotenciários da justiça e da verdade – da injustiça. O “jornalismo de denúncia” que se tornou hegemônico na grande imprensa traz o componente de julgamento sumário dos IPMs pós-64 e o elemento propagandístico udenista do pré-64. Assume, ao mesmo tempo, as funções do julgamento e da condenação, partindo do princípio de que, se as instituições não funcionam, ele as substitui. Da mesma forma que o IPM, a punição é a exposição pública. E, assim como os Estados de regimes autoritários, o direito de defesa é suprimido, apesar da formalidade de “ouvir o outro lado”.[8]

Com estas observações não proponho, em absoluto, qualquer controle da informação por parte do Estado. Nem a sonegação de informações relevantes, para que os processos e as investigações tenham ampla publicidade pela mídia que, de resto, pode cumprir o papel político que quiser dentro da democracia. Nem se trata, também, de alegar a existência de uma “conspiração” dos meios de comunicação contra a democracia e o devido processo legal. Trata-se de compreender que já vivemos um período da sociedade da informação em que os poderes de fato, no capitalismo tardio, estão se sobrepondo aceleradamente ao poder das instituições formais do Estado. Isso não ocorre somente em relação à mídia, mas também em relação a outros poderes fáticos oriundos da força econômica dos grupos privados.

Sustento, porém, que devemos estar atentos para a necessidade de reformas profundas no inquérito, transitando para o reforçamento das funções do Ministério público (não no seu enfraquecimento), apostando no controle, na especialização e qualificação dos meios da instituição, para que enfrentemos – sociedade, políticos autênticos e Ministério Público - duas mortes anunciadas: do garantismo jurídico, de uma parte, e da pretensão punitiva do Estado, de outra.

Quanto à morte do “garantismo”, defendendo tanto os seus conteúdos democráticos e humanistas, oriundos da tradição escolástica e reelaborados pela filosofia jusnaturalista, “que os concebem como princípios políticos morais e naturais de limitação do poder penal absoluto” [9] e defendendo, também, medidas de organização técnica e tecnológica do Estado, combinadas com reformas legais contra o desvirtuamento do garantismo, ou seja, o seu uso quase exclusivo para a proteção dos poderosos.

Quanto à morte da “pretensão punitiva do Estado”, isto só não ocorrerá se o justiçamento sumário da mídia for superado pelo exemplo social da pena, com celeridade do processo judicial-penal, sempre mais tardio e sempre mais generoso com os ricos e poderosos e sempre duro com os mais pobres e hiposuficientes.

As posições que o Poder Legislativo vem assumindo, “brifado” pela mídia, para promover reformas na legislação penal em cada crime bárbaro ou corrupção mais evidente, não só não tem nenhuma serventia, para combater a corrupção ou a criminalidade em geral, como também demonstra a gravidade que alcançou o controle da “mídia criminológica” sobre a vida política do país. Aliás, promovendo aquilo que Zaffaroni qualificou como “criminologia midiática”.

Nela, sucede – por exemplo – o seguinte: “o condutor (do programa televisivo) interroga sobre o aumento do delito, da criminalidade, as causas do delito, os fatores sociais, se a droga tem muito a ver, se a liberação sexual tem incidência, se a desintegração da família pesa, se “isso” é melhorável por políticas sociais, com maiores penas, com o valor simbólico da pena, com a restauração dos valores, etc. Formula perguntas que só um criminalista poderia responder depois de investigações de campo e que, por conseguinte, no país não se realizam porque não se destina um mísero peso a isto.”[10]

À medida que estes “debates” avançam, para um âmbito pré-constituído pelo desconhecimento dos entrevistadores e repórteres, vai se conformando uma criminologia especial. É a criminologia empírica do poder midiático, que gera um pensamento mágico, cujo desfecho é sempre a requisição de penas mais elevadas e o endurecimento da execução penal. São as leis votadas de afogadilho que, aliás, não têm nenhuma eficácia para os objetivos a que se propõem.

Lembro Calvo Garcia: “Independentemente de que se considere como positivo ou negativo, quando se utiliza o Direito como instrumento de intervenção social, os elementos jurídicos tradicionais veem-se insuficientes em todos os sentidos. De início, produz-se uma autêntica explosão legislativa, uma autêntica avalanche de normas (Luhmann 1986: 124-125). O aumento em termos de quantidade não traz paralelamente maior qualidade, mas sim o contrário: uma profunda degradação dos instrumentos de produção de normas jurídicas, tanto do ponto de vista das técnicas legislativas, como do ponto de vista da ‘relevância’ dos instrumentos utilizados (Baldwin 1995). A degradação dos instrumentos normativos corre paralela ao excesso de normas.”[11]

É relevante, aliás, lembrar dois aspectos: primeiro, que a midiatização criminológica incide principalmente sobre fatos presumidamente delituosos sempre relevantes, em termos locais ou nacionais; e, segundo, a criminalidade, seja ela através da corrupção ou outro tipo de criminalidade, jamais foi reduzida significativamente ou de forma permanente, dentro da democracia, por leis mais duras ou execuções penais mais severas. O que reduz a criminalidade é a certeza da punição do delito pelo Estado.

Exemplos de redução da criminalidade em épocas de totalitarismo – como no auge do stalinismo e do fascismo - não servem de parâmetro. No totalitarismo, o Estado monopoliza não só a política, mas também o crime, como forma de exercitar plenamente o poder. Ali ele esvazia a sociedade civil dos seus direitos e absorve, como Estado criminalizado, o monopólio do delito. O crime é concentrado na ordem que pode cometer quaisquer delitos, e assim sobrepondo-se à sociedade até nas praticas delituosas, com a impunidade garantida pela própria ordem.

Para encerrar, reitero a conclusão de Calvo Garcia: “a degradação dos instrumentos normativos corre paralela ao excesso de normas”. Normas não nos faltam[12]. O combate à corrupção, em particular, e à criminalidade, em geral carece, hoje, é de uma estratégia comum pactuada entre os entes da União e os poderes e instituições do Estado, o que na verdade é uma decisão política. Se isso não ocorrer conscientemente os poderes fáticos, fora do Estado, vão continuar privatizando as investigações, denúncias, juízos de violação da legalidade e sanções políticas.

Só o funcionamento normal das instituições orgânicas do Estado, o reforçamento político, tecnológico e humano destas instituições, operando rigorosamente dentro do princípio da neutralidade formal do Estado, pode combater a corrupção. Degradando-a, assim, de crime “político” midiático, presumido pelo seu valor mercantil na disputa selvagem pela notícia, a crime comum, combatido pelos agentes políticos em conjunto com as instituições policiais e o Ministério Público, com o apoio amplo na própria sociedade da informação.

Tarso Genro é governador do Rio Grande do Sul. Discurso proferido na abertura do congresso sobre corrupção, realizado pelo Ministério Público do RS nesta quinta-feira (20), em Porto Alegre.


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[1] BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. “Dicionário de Política. São Paulo: Editora UNB, 2004, p. 292.

[2] NYE, Joseph S. “Corruptio and political development: a cost-benefit analysis”. In: BARBOZA, Marcia Noll. “O combate à corrupção no mundo contemporâneo e o papel do Ministério Público no Brasil”.

[3] BARBOZA, Marcia Noll. “O combate à corrupção no mundo contemporâneo e o papel do Ministério Público no Brasil”: “Tal conceito parece abarcar toda uma variedade de condutas tipificadas pelo direito penal, como corrupção passiva, corrupção ativa, concussão, prevaricação, peculato, advocacia administrativa; bem assim em condutas previstas em outros subsistemas jurídicos, tais como enriquecimento ilícito, improbidade administrativa, infrações administrativas, disciplinares, etc. A corrupção, enquanto fenômeno, abrange ainda a lavagem e a evasão de divisas como condutas assessórias. Conforme explica Antonio Vercher Noguera, ‘la corrupción no es um delicto sino más bien um concepto que engloba toda una cultura delictiva ligada a ciertos factores determinantes, tales como la globalización, el riesgo, la economia, entre otros’.”


[4] Este parágrafo foi extraído – com modificações - do texto-base da Conferência proferida na abertura do Congresso da Associação dos Magistrados do Brasil (2009) “O Poder Judiciário na Sociedade Democrática Moderna”, quando Ministro da Justiça.

[5] BATISTA, Nilo. “Mídia e Sistema Penal no Capitalismo Tardio”. http://www.bocc.ubi.pt/pag/batista-nilo-midia-sistema-penal.html

[6] Idem.

[7] KELSEN, Hans. “Esencia y valor de la democracia”. México: editora Nacional, 1974, p. 145.

[8] NASSIF, Maria Inês. “A UDN, os IPMs e a mídia brasileira”. In: Carta Maior, 29/09/2011. http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5230

[9] FERRAJOLI, Luigi. “Derecho y razón – Teoría del garantismo penal”. Madrid: Editorial Trotta, 1989, p. 93. Máximas latinas de tradição escolástica, nas quais se baseia o garantismo moderno: “Nulla poena sine crimine. Nullum crimen sine lege. Nulla lex (poenalis) sine necessitate. Nulla necessitas sine iniuria. Nulla iniuria sine actione. Nulla actio sine culpa. Nulla culpa sine indicio. Nullum indicium sine accusatione. Nulla accusatio sine probatione. Nulla probatio sine defensione.” (…) “Foram elaborados sobretudo pelo pensamento jusnaturalista dos séculos XVII e XVIII, que os concebeu como princípios políticos, morais ou naturais de limitação do poder penal “absoluto”. E foram mais tarde incorporados, mais ou menos íntegra e rigorosamente, às constituições e codificações dos ordenamentos desenvolvidos, convertendo-se, assim, em princípios jurídicos do moderno estado de direito.

[10] ZAFFARONI, Eugenio Raúl. “La cuestión criminal – la política espetáculo”. In: suplemento especial de Página 12, 22/09/2011.

[11] GARCIA, Manuel Calvo. “Transformações do Estado e do Direito”. Porto Alegre: Editora Dom Quixote, 2007, p. 9.

[12] FIGUEIREDO, Gecivaldo Vasconcelos. “Desvirtuamento do garantismo para proteção dos poderosos”. In: http://www.novacriminologia.com.br//Artigos/ArtigoPrint.asp?idArtigo=2645: “Repito: essas leis não servem para nada. Para encarar a criminalidade, principalmente entre as classes mais pobres, as únicas políticas eficientes são as políticas sociais. Essa situação é em parte resultado de grandes desigualdades, da exibição e ostentação da riqueza em frente a uma classe que vive no limite da subsistência. Portanto, o único modo para acabar com os lugares em que o crime encontra espaço para crescer é uma política de garantia dos direitos sociais, que oferece alimentação, instrução e um sistema de saúde.”

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Tarso Genro participa de debate e assina o Protocolo Brasília no 12º Fisl

Tarso lotou o auditório com o seu Governo Escuta

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, realizou a terceira edição do fórum Governo Escuta na tarde desta quarta-feira (29). O debate aconteceu durante o 12º Fórum Internacional de Sofware Livre (Fisl). Para falar sobre Cultura Digital, Democracia e Governos no século XXI, o Gabinete Digital de Tarso convidou Jon "Maddog" Hall, presidente e fundador da Linux Internacional, James Beasley, diretor Mundial de Desenvolvimento de Negócios de Software para Plataforma Atom na Intel, Sérgio Amadeu da Silveira, doutor em Ciência Política e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), e Alexandre Oliva, representante da Free Software Fundation LatinoAmerica.
Governador do RS assina o Protocolo Brasília durante o 12º Fisl

Ainda nesta quarta à tarde, Tarso Genro participou da abertura oficial do FISL, quando assinou Protocolo de Intenções com o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, e com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Adão Villaverde. O Protocolo Brasília, como é chamado, é um compromisso pela adoção de formatos abertos de arquivos para criação, armazenamento e digitalização de documentos dos tipos texto, planilha e apresentação. Com a assinatura desse Protocolo, os órgãos envolvidos comprometem-se a priorizar o uso do Open Document Format (ODF), já utilizado pelo Governo Federal e aprovado pela ABNT.

O 12º FISL tem programação até as 18h deste sábado (2). Sediado no Centro de Eventos da Pucrs em Porto Alegre, esta edição do Fisl reuniu, até agora, cerca de 5 mil pessoas em torno do tema Tecnologia que Liberta.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Colabora, tchê, que o frio tá de rengueá!

Orquestra Jovem do RS e a performance que surpreendeu pela graça e talento,
sob a regência do maestro Telmo Jaconi
O governador Tarso Genro deu a largada para a Campanha do Agasalho de 2011 em evento realizado hoje (14) no Salão Negrinho do Pastoreio do Palácio Piratini.
“Este é um momento de felicidade e tristeza. Felicidade porque estamos aqui levando o calor a quem padece com o frio. Tristeza porque vivemos em um estado em que as pessoas ainda precisam de socorro para enfrentar o inverno”, disse o governador, afirmando que a necessidade dessas pessoas é imediata, mas que o Governo do Estado trabalha para colocar em prática as políticas públicas para que campanhas como essa não sejam necessárias à sobrevivência do povo gaúcho. “A solidariedade é um ato de rebeldia contra a injustiça social”, concluiu o governador.

Parceira da Defesa Civil na Campanha do Agasalho 2011, a Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital (Secom) é a responsável pela divulgação e incentivo às doações. “A Campanha na mídia inicia na próxima segunda-feira dia 20 de junho e vai até o dia 26 de agosto, com peças publicitárias em TV e rádios da capital, do interior e em emissoras comunitárias, em jornais da capital, interior e jornais de bairro de Porto Alegre, na Internet e com distribuição de cartazes e folhetos”, explicou Vera Spolidoro, titular da Secom. 


Ponderando que esse tipo de ação é necessária mas não resolve os problemas da população mais pobre do país e do estado, a secretária anunciou o lançamento, no dia 30 de junho, do plano gaúcho do Programa Brasil Sem Miséria, com investimento de 25 milhões anuais em ações estruturais no RS. “No entanto, o inverno está aí e precisamos de ações imediatas, para que as famílias tenham proteção e condições de buscar sua emancipação. Aqui, ao lado da solidariedade dos cidadãos gaúchos, a sociedade encontra a ação do Governo”.

Ao final da solenidade, o governador Tarso Genro entregou três kits simbólicos da Campanha do Agasalho 2011 a representantes do Pão dos Pobres, de Porto Alegre, da Você Mulher, de Sobradinho, e da Associação Esperança de Um Dia Melhor, de Alvorada. O evento foi encerrado com a apresentação da Orquestra Jovem do Rio Grande do Sul, regida pelo maestro Telmo Jaconi. O grupo é formado por alunos da rede pública de Porto Alegre, com idades entre dez e catorze anos, oriundos de famílias de baixa renda.


Leia mais:
Campanha do Agasalho 2011 valoriza o calor humano do povo gaúcho
Campanha do Agasalho começa nesta terça no Estado

Texto: Carla Kunze - Assessoria de Imprensa - Secom
Foto: Caco Argemi - Palácio Piratini 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Café com blogagem

O Café & Aspirinas esteve representado no I Encontro Estadual de Blogueir@s e Tuiteir@s do RS, neste fim-de-semana, em Porto Alegre. Nas fotos publicadas no álbum do evento no Picasa, podemos ver a barista Zeza em várias situações, algumas sérias, outras nem tanto...

Dia 1 - ao lado do grande mestre Sr. Cloaca














Dia 2 - mediando uma mesa com blogueiros "diferenciados" 














Dia 3 - com a dupla da TV Araponga, no Bric da Redenção,
entrevistando quem parava pra ver o Pig Parade














sexta-feira, 27 de maio de 2011

Começa hoje o #BlogProgRS


Começa hoje (27) às 19 horas, na Câmara Municipal de Porto Alegre, o I Encontro de Blogueir@s e Tuiteir@s do RS - #BlogProgRS, organizado por um grupo de participantes do I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, ocorrido em São paulo em 2010, com segunda edição em Brasília nos dias 17, 18 e 19 de junho deste ano. A secretária de Comunicação e Inclusão Digital do Estado, Vera Spolidoro, é uma das convidadas para o evento, participando da mesa de abertura ao lado do jornalista e blogueiro Altamiro Borges e do ativista pelo software livre Marcelo Branco. No sábado, a diretora de Políticas Públicas da Secom, Cláudia Cardoso, e o coordenador do Gabinete Digital do Governo, Vinicius Wu, falam de Políticas Públicas para Comunicação Digital com o debatedor Marco Weissheimer, jornalista e blogueiro do RS Urgente.

Confira a programação e os participantes do #BlogProgRS:

27 de maio, sexta-feira
18h30 — Credenciamento e abertura com autoridades e convidados;
19h30 — Mesa de abertura: “As mídias digitais e a democratização da democracia“.

28 de maio, sábado
09h00 — Mesa de debates: “A importância estratégica e a viabilização da comunicação digital”;
11h00 — Debate e perguntas de plenário, respostas e considerações da mesa;
12h00 — Almoço;
14h00 — Mesa de debates: “Políticas públicas para comunicação digital”;
16h00 — Oficinas simultâneas;
17h30 — Relatos e experiências de blogs: Salto Alto Futebol Clube, Cultura Crossdresser, El blog de Norelys e Teia Livre.

29 de maio, domingo
09h00 — Debate de plenário sobre o II BlogProg Nacional, elaboração da Carta dos Blogueir@s e Tuiteir@s Gaúch@s;
11h15 — Coffee Break;
11h45 — Deslocamento para o Parque da Redenção;
12h15 — PIG PARADE no Parque da Redenção.

Mesa de abertura

As mídias digitais e a democratização da democracia

Vera Spolidoro — Secretária de Comunicação e Inclusão Digital do Estado do Rio Grande do Sul;

Altamiro Borges — Jornalista, blogueiro (Blog do Miro, http://altamiroborges.blogspot.com/), presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé (http://www.baraodeitarare.org.br/), ativista pela democratização da comunicação, organizador do BlogProg nacional, membro do Comitê Central do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e autor do livro “Sindicalismo, resistência e alternativas”.

Marcelo Branco — Profissional de TI, ativista pela liberdade do conhecimento.

Mesas de debates

A importância estratégica e a viabilização da comunicação digital

Eduardo Guimarães — Blogueiro (Blog da Cidadania, http://www.blogcidadania.com.br/), comerciante, ativista político (presidente do Movimento dos Sem Mídia)

Leandro Fortes — Blogueiro (Brasília, Eu Vi, http://brasiliaeuvi.wordpress.com/). Organizador do BlogProg nacional. Jornalista, repórter da revista Carta Capital. É autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo, Fragmentos da Grande Guerra e Os segredos das redações. É criador do curso de jornalismo on line do Senac-DF e professor da Escola Livre de Jornalismo.

Gabriela Zago — Jornalista gaúcha e pesquisadora de comunicação e jornalismo nas redes sociais digitais, blogueira (http://www.gabrielazago.com/), doutoranda em comunicação e informação, colaboradora do TwitBrasil e da Wave Magazine.

Luiz Carlos Azenha — Jornalista, blogueiro (Vi o mundo, http://www.viomundo.com.br/), organizador do BlogProg nacional. Foi correspondente internacional da Rede Manchete, do SBT e da Rede Globo. Atualmente, faz reportagens para a Rede Record e é diretor geral do programa Nova África da TV Brasil.

Renato Rovai — Blogueiro (Blog do Rovai, http://www.revistaforum.com.br/blog/). Jornalista, editor da revista Forum.

Políticas públicas para comunicação digital 


Cláudia Cardoso — Diretora de Políticas Públicas da Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital do Governo do
Estado do Rio Grande do Sul;

Vinícius Wu — Secretário Chefe de Gabinete do Governador do Estado do Rio Grande do Sul, coordenador do Gabinete Digital.

Debatedor: Marco Weissheimer — Jornalista, blogueiro (RS Urgente, http://rsurgente.opsblog.org/), editor da revista eletrônica Carta Maior (http://www.cartamaior.com.br/)

Oficinas simultâneas

Administração e ferramentas para blogs

Tatiane Pires — estudante de ciência da computação na PUC/RS, é programadora e webdesigner, escreve no blog tatianeps.net e colabora no portal Teia Livre (http://www.teialivre.com.br).

Redes Sociais

Mirgon Kayser
— Assessor de Organização, Sistemas e Métodos da Fundação Cultural Piratini – TVE/RS e FM Cultura. Blogueiro, autor do Blog do Mirgon (http://blogdomirgon.blogspot.com/).

Relatos e experiências de blogs

Norelys — Islamía (http://islamiacu.blogspot.com/)
Marco Aurélio — Teia Livre (http://www.teialivre.com.br)
Luísa Stern — Cultura Crossdresser (http://www.culturacd.com/)
Roberta Konzen e Quetelin Rodrigues — Salto Alto Futebol Clube (http://saltoaltofutebolclube.wordpress.com/)

Carla Kunze

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Estudantes de Canoas conheceram hoje o Gabinete Digital de Tarso Genro

O chefe de gabinete do governador Tarso Genro, Vinicius Wu, esteve no município de Canos, na tarde desta sexta-feira (20), apresentando o Gabinete Digital a um grupo de alunos da Escola Municipal Nancy Pansera. Localizada no bairro Guajuviras, um dos mais pobres e violentos da cidade, a escola tem 1285 estudantes matriculados no ensino fundamental, está dentro do Território da Paz Pronasci Canoas e é contemplada com os programas Escola Comunidade - Mais Educação e Escola Aberta.


Cerca de 30 estudantes que participam das oficinas de Inclusão Digital ministradas no laboratório de informática da própria escola estiveram presentes ao encontro. Alguns deles, já usuários de redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter, sentiram facilidade em entender as ferramentas de interatividade do GD. Wu explicou quais são as funções do governador e debateu com os alunos as novas formas de interferir nas decisões do Executivo com relação à comunidade do Guajuviras, no que se refere, por exemplo, à infra-estrutura de educação, esporte e segurança. Para o secretário, opinar e criticar a respeito dos mais diversos assuntos utilizando o site do Gabinete Digital encurta a distância entre o governo do Estado e os cidadãos que vivem longe da capital.

Ao apresentar a dinâmica do O Governo Escuta, Wu falou sobre a primeira experiência do governador Tarso Genro neste tipo de debate aberto à participação popular pela internet, que foi o seminário sobre bullying nas escolas, realizado em 4 de maio. “Alguém aqui sabe dizer o que é o bullying?”, perguntou, ao que um dos meninos mais novos da turma respondeu: “É quando uma pessoa é negra ou gorda e os colegas ficam ‘sacaneando’ ela”.

Alguns alunos foram convidados por Wu a participar do lançamento oficial do Gabinete Digital, que acontece na próxima terça-feira (24) às 17 horas, no endereço www.gabinetedigital.rs.gov.br

Texto e foto - Carla Kunze

Leia mais sobre o Gabinete Digital
aqui.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Tarso Genro lança Gabinete Digital



Dentro de uma semana, o Governo do RS estará abrindo mais um espaço de participação popular na formulação de diretrizes para políticas públicas - o Gabinete Digital. Com o objetivo de estimular de forma permanente a cultura de participação na gestão pública, a proposta está baseada, em especial, na experiência de interatividade da chanceler alemã Angela Merkel, tendo buscado inspiração também nas iniciativas do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, do governador do Sergipe, Marcelo Déda, e do governador do Ceará, Cid Gomes.

A partir do lançamento oficial do Gabinete Digital na internet, marcado para as 17h do dia 24 de maio, estarão disponíveis para os gaúchos alguns novos canais de escuta, entre eles, o O Governador Responde, no qual a população formula questionamentos e, uma vez por mês, a pergunta mais votada é respondida diretamente pelo governador Tarso Genro. Outro canal de escuta que o GD vai colocar à disposição da população é a Agenda Colaborativa, com a possibilidade de envio de sugestões para as agendas de Interiorização do Governo, além da consulta pública a respeito de temas e prioridades a serem abordadas pelo governador.

O hotsite do fórum O Governo Escuta, espaço de participação popular em tempo real no debate sobre temas de grande interesse da sociedade, já teve sua funcionalidade testada em dois momentos - quando o governador reuniu especialistas para discutir o problema do bullying nas escolas (4/5) e no debate sobre o uso de estrangeirismos (11/5), tema de projeto de Lei do deputado estadual Raul Carrion (PCdoB).

Uma das propostas do Gabinete Digital é a formação de um Grupo de Trabalho, composto por 10 Secretarias de Estado, com o propósito de formular diretrizes no âmbito da Governança e da Cultura Digital para a adoção de ferramentas digitais de participação e consulta à sociedade, a promoção da transparência dos dados públicos, a organização de novas cadeias produtivas e novos modelos de criação, produção e uso de produtos culturais de forma a fomentar relações sociais, culturais e econômicas justas e transparentes.

Carla Kunze - Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital do Governo do Estado do RS

Serviço
Lançamento do Gabinete Digital 

Quando: dia 24 de maio, às 17 horas
Onde: www.gabinetedigital.rs.gov.br

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Banda larga é um direito teu!


Para participar da campanha, leia o manifesto abaixo e envie e-mail para campanhabandalarga@gmail.com

Uma ação pela internet barata, de qualidade e para todos
Banda Larga é direito de todas e todos, independentemente de sua localização ou condição sócio-econômica. O acesso à internet é essencial porque permite o mergulho na rede que integra diferentes modalidades de serviços e conteúdos, funcionando como um espaço de convergência de distintas perspectivas sociais, culturais, políticas e econômicas. Elemento central na sociedade da informação, a inclusão digital, entendida de forma ampla, é condição para a concretização de direitos fundamentais como a comunicação e a cultura e se coloca como passo necessário à efetiva inclusão social, já que ela é essencial para o desenvolvimento econômico do país. A internet incrementa a produtividade e gera riquezas, sendo fator de distribuição de renda e de redução de desigualdades regionais.
Nós, organizações da sociedade civil e ativistas envolvidos no debate da democratização da comunicação e da produção colaborativa da cultura, reconhecemos a relevância das metas e políticas presentes no Plano Nacional de Banda Larga, sendo imprescindível, contudo, avançar. Mais, é necessário que se faça uma vigília permanente para que as políticas de banda larga estejam pautadas no interesse público, o que já sofre reveses. Os rumos recentes tomados pelo governo reforçam o abandono da ideia de serviço público como concretizador de direitos e privilegia soluções sob uma lógica de mercado.
Com base no acúmulo conquistado nas Conferências Nacionais de Comunicação e Cultura, no Fórum de Cultura Digital e nas articulações relativas à constituição do Marco Civil da Internet e à reforma da Lei de Direitos Autorais, apresentamos as seguintes propostas guia e suas ações:
1. EFETIVA PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL NO PROCESSO DE INCLUSÃO DIGITAL
Rever a participação da sociedade civil no Fórum Brasil Conectado, ampliando a sua representação e democratizando seu processo de escolha;
Convocar, em conjunto com entidades da sociedade civil, um Fórum Participativo de Acompanhamento do Plano Nacional de Banda Larga, criando canais legítimos e públicos de consulta mútua que permitam a efetiva participação da sociedade nos processos decisórios do Plano;
Criar mecanismos públicos de consulta que contemplem a convergência de mídias e redes sociais buscando de todas as formas a tradução do debate para toda população.
2. PRESTAÇÃO DA BANDA LARGA SOB REGIME PÚBLICO
Reconhecer o caráter essencial da banda larga, definindo-o como serviço público, sujeito a metas de universalização, controle de tarifas garantindo seu baixo valor, obrigações de continuidade voltadas à sua prestação ininterrupta e garantia da prevalência do interesse público na utilização da infraestrutura necessária ao serviço;
Integrar ações das esferas Federal, Estadual e Municipal para universalização da Internet da banda larga, possibilitando o acesso de qualquer pessoa ou instituição ao serviço e otimização do uso da infraestrutura, inclusive por meio da reserva de espaço eletromagnético livre de licenças para aplicações comunitárias;
3. GESTÃO PÚBLICA DAS REDES PARA GARANTIR A IGUALDADE ENTRE PROVEDORES E O INGRESSO SUSTENTÁVEL DE NOVOS AGENTES
Implementar mecanismos de controle público da gestão das redes, garantindo o acesso não discriminatório e competitivo à infraestrutura;
Utilizar a Rede Nacional na geração de maior competição a partir da entrada de pequenos e médios provedores, bem como efetivar políticas de incentivo e financiamento possibilitando a sustentabilidade dos mesmos;
Democratizar as licenças para prestação do serviço de banda larga fixa (Serviço de Comunicação Multimídia) no âmbito do PNBL, permitindo que qualquer organização, inclusive as sem fins lucrativos, possa recebê-las;
Efetivar a prestação do serviço ao usuário final pela Telebrás;
Incentivar o uso de tecnologias diversificadas para distribuição da última milha (wi fi, wi max, eletricidade, redes mesh, incorporando novas tecnologias que surjam ao longo do tempo);
Regular a utilização do espectro livre, espaços inutilizados do espectro para evitar interferências na transmissão analógica de televisão, permitindo a sua utilização por cidadãos e comunidades;
Fortalecer instrumentos de regulação e fiscalização com independência em relação ao mercado, participação social e atuação rápida e eficaz, não só com relação à competição, mas também quanto à qualidade do serviço. Estes instrumentos devem atuar sobre todo o sistema, incluindo a Telebrás, grandes e pequenos provedores privados;
4. AMPLIAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE PARÂMETROS DE QUALIDADE DA BANDA LARGA
Delimitar as condições de prestação adequada do serviço por meio de critérios objetivos que visem à efetiva proteção do consumidor e a utilização das redes em toda a sua potencialidade;
Assegurar o atendimento adequado ao consumidor e a não abusividade na publicidade e nos contratos, com especial atenção ao cumprimento do dever de informação;
Garantir a paridade de banda para download e upload, imprescindível para o uso multimídia alternativo, fiscalizando o cumprimento das taxas de transmissão contratadas e disponibilizando meios tecnológicos para verificação deste cumprimento pelo próprio usuário;
Definir a proteção à privacidade e à liberdade de expressão e de acesso a conteúdos como parâmetros de qualidade do serviço, em consonância às previsões do Marco Civil da Internet e à discussão do anteprojeto de lei de proteção de dados;
Assegurar a neutralidade da rede, propiciando o acesso igualitário a serviços, aplicativos e informações a todas e todos ao impedir interferências discriminatórias das operadoras na velocidade de navegação;
Implantar no PNBL velocidades de download e upload compatíveis com os conteúdos e aplicações disponíveis na rede, que realmente possibilitem o cidadão ser um agente do processo de produção da cultura digital.
5. APOIO À CULTURA DIGITAL
Estimular a Cultura Digital, Software Livre, Transparência e Princípios da construção colaborativa de conteúdos (ex: wiki);
Promover o uso da rede para produção, compartilhamento e distribuição de conteúdos, por meio de políticas públicas para produção de conteúdos culturais, científicos e educacionais, bem como o apoio a licenciamentos livres e à reforma da Lei de Direito Autoral;
Definir políticas concretas de fomento e desenvolvimento da indústria de inovação cutural e aplicações web baseadas em conteúdos culturais;
Estimular entidades e iniciativas voltadas à Alfabetização Digital, incluindo escolas de todos os níveis, Lan Houses e Programas de Inclusão dos governos e sociedade civil, possibilitando a apropriação e qualificação do uso da rede;
Criar espaços de acesso público e comunitário gratuito inclusive através de redes abertas (WI FI);
Incentivar a integração de acessos comunitários de ações do governo (telecentros, pontos de Cultura, acessos abertos por redes sem fio municipais) com a sociedade civil, englobando um conjunto de iniciativas públicas do Terceiro Setor na área de Cultura Digital e iniciativa privada.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lula tem coletiva com rádios comunitárias nesta quinta

Depois de conceder entrevista exclusiva a blogueiros no Palácio do Planalto na semana passada, o presidente Lula vai agora receber representantes de dez rádios comunitárias para uma coletiva nesta quinta-feira (2/11), a partir das 9 horas da manhã.
O evento é promovido pela Secretaria de Imprensa da Secom, Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e pela Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço).
Tu podes acompanhar a transmissão ao vivo aqui no Café & Aspirinas ou direto no Blog do Planalto.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Zeza toma Café com Lula e PIG toma Aspirinas



Pelo tom... acho que eles não gostaram nem um pouquinho da atenção dada aos blogueiros, porém, tiveram que dar a notícia. Isso deve ter doído.
Não importa o que venho lendo desde quarta-feira na imprensa a respeito da coletiva que o Presidente Lula concedeu a blogueiros no Palácio do Planalto naquela manhã. Pouco me importa o que dizem O Globo e a Folha de São Paulo, ou o que vomita alguma colunista do Estadão e muito menos o que vocifera um imbecil que espalha seu ódio em um blog limpinho da Veja.
O fato é que estávamos todos lá, felizes da vida por essa oportunidade de conversar com O Cara. Eu não ia conversar, só fotografar. Mas presenciar esse encontro histórico foi uma honra. Assim como foi uma honra tomar cafezinho com o Presidente em teu nome, leitor do Café e Aspirinas. As aspirinas deixemos para o PIG, que está de cabeça inchada, dor-de-cotovelo, deprimido, derrotado.
Os blogueiros que entrevistaram o Presidente estavam representando os presentes ao primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que aconteceu em São Paulo nos dias 20, 21 e 22 de agosto deste ano. Protagonizaram a coletiva os blogueiros Altamiro Borges, do Blog do Miro, Renato Rovai, do Blog do Rovai, Leandro Fortes, do Brasília, eu vi, José Augusto Duarte, do blog Os Amigos do Presidente Lula, Túlio Vianna, do blog Túlio Vianna, Pierre Lucena, do Acerto de Contas, o Senhor Cloaca, do Cloaca News, Altino Machado, do blog Altino Machado, Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, Rodrigo Vianna, do Escrevinhador e Conceição Oliveira, do Maria Frô, que participou online. A pauta era livre, sem censura, mas faltou tempo pra um bate-bola, um debate sobre comunicação e redes sociais. Quem sabe o companheiro Lula aparece no próximo Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas e faz esse debate já como o blogueiro e tuiteiro que prometeu se tornar assim que "desencarnar" da Presidência?

A transcrição completa da coletiva está nesta página.

Veja aqui a primeira coletiva presidencial a blogueiros, realizada no Palácio do Planalto no dia 24/11/2010.

Veja a cobertura fotográfica de Ricardo Stuckert no Blog do Planalto. Em breve, será publicada aqui uma galeria de fotos da entrevista coletiva.