quarta-feira, 4 de junho de 2014

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Eles passaram e eu passarinhei!


Quer falar de bullying? Fala comigo, apanhei todos os dias na saída da escola. Devo ter sido a guria que mais apanhou entre 1971 e 1978 no grupo escolar Euclides da Cunha, ali em frente ao antigo estádio dos Eucaliptos.

Nunca pensei em suicídio nem em entrar na escola metralhando todo mundo. Mas que tive vontade de sumir, cavar um buraco e enfiar a cabeça, isso tive. A cabeça que ardia, de tanto puxarem meu cabelo durante a aula. No rosto, a mão de uma colega estampada, um contorno vermelho que eu ia desfilando pelas ruas no trajeto entre o local do crime e a minha casa. E apanhava de novo, em casa, pra aprender a ser agressiva, deixar de ser "moscona" e me defender. Nunca me defendi, nunca bati em ninguém, revidei ou fiz qualquer maldade. Não por medo das consequências, mas por achar a agressão física coisa de gente burra, sem argumento. Bem, pensar assim naquela escola já era motivo para apanhar mais ainda. E todo dia tinha que voltar aonde sabia que coisas ruins aconteceriam.

Pra completar, tinha uns primos que me chamavam de gorda o tempo todo, com aquele prazer sádico nos olhos. E eu nem era gorda (vide foto), logo, apenas a maldade os movia. Eu chorava muito, por um bom tempo fui uma tímida solitária, me achava gorda e horrorosa, até ia nas "reuniões dançantes", mas não dançava. Imagino que se me sentisse mais segura, teria sido uma puberdade mais legal, mais divertida, mais livre.

Tive uma infância bacana, minha casa era porto de comunistas, artistas, havia festas e reuniões políticas com gente de todo o tipo, me divertia muito em família e aprendia tudo do mundo com essas pessoas maravilhosas com quem pude conviver. Mas na escola era diferente, era guerra. Foi difícil, eu não tinha muito onde e com quem me socorrer, a direção da escola não queria saber de briga de aluno (aluno era merda na ditadura) e, em casa, havia um filme de terror acontecendo - o acidente da minha irmã, que em 1973, aos 20 anos de idade, ficou paraplégica para sempre. E a vida mudou pra sempre.

Depois de um tempo, o bullying começou a parecer bobagem perto da luta da minha irmã pra sobreviver. A força de vontade daquela linda moça que eu amava tanto e que superava todas as dificuldades e expectativas me fez sentir uma guria mimada, meus problemas eram ridículos perto dos dela! Aí se foram a infância e a inocência.

Mas da timidez e do medo da vida em sociedade só me livrei quando fui "procurar minha turma" e encontrei no Julinho e na militância estudantil - nada como a abertura de novos horizontes e novas e boas amizades pra te ajudar a achar o rumo, amadurecer. Sequelas ficaram, claro, balança e espelho são problemas, mas que mulher não se acha gorda? Eu sou muito feliz, realizada como mulher, profissional e mãe. Não sei se hoje são felizes as pessoas que me machucaram, física e psicologicamente, mas agradeço toda aquela agressividade e crueldade que me dispensaram. Essas pessoas me fortaleceram e fizeram sentir superior, pelo menos a elas.


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Diz-me com quem andas... 2


As imagens da "blogueira" cubana Yoani Sanches publicadas no UOL/Estadão dizem tudo sobre a moça.

Recebida calorosamente por Aécio Neves, o homem dos 45 erros


Oposição embalando e protegendo a cria

O olhar de carinho e admiração do padrinho político Alckmin 

Como diz o Cloca, "Cada um tem a blogueira cubana que merece"

Blogueira cubana Norelys Morales falou sobre o blog IslaMía no 1º BlogProgRS














Norelys comemora com os organizadores o sucesso do 1º BlogProgRS













Zeza entrevista Norelys no Pig Parade do 1º BlogProgRS na Redenção

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Diz-me com quem andas...

O texto abaixo foi publicado ontem (30) no Blog do Miro, do querido amigo Altamiro Borges. 

Especialista em coligações absurdas, pra não dizer condenáveis, a (mais-uma-vez) candidata pelo PCdoB à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela d'Ávila, tem como vice o vereador Nelcir Tessaro, do PSD, mesmo partido de Kátia Abreu. O que pretende a postulante ao mais alto cargo do Executivo porto-alegrense com essa parceria? Importar a cultura escravagista do PSD e da senadora ruralista para a capital gaúcha? Altamiro Borges, também do PCdoB, não toca no assunto.

Kátia Abreu e o resgate de escravos
Por Altamiro Borges

"A Superintendência Regional de Trabalho e Emprego do Tocantins (SRTE/TO) libertou 56 pessoas de condições análogas à escravidão da Fazenda Água Amarela, em Araguatins (TO). A área reflorestada de eucaliptos, que também abrigava 99 fornos de carvão vegetal, estava sendo explorada pela RPC Energética. De acordo com apurações da fiscalização trabalhista, ainda que registrada em nome de um 'laranja', a empresa pertence a Paulo Alexandre Bernardes da Silva Júnior e André Luiz de Castro Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), liderança ruralista que também é presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)".
A informação acima foi publicada nesta semana pelo sítio Repórter Brasil. Segundo a reportagem, assinada por Bianca Pyl, Guilherme Zocchio e Maurício Hashizume, a empresa flagrada produzia matéria-prima para a siderúrgica Fergumar (Ferro Gusa do Maranhão Ltda.). "Instalada em Açailândia (MA), a Fergumar é dona da fazenda e recebeu os 18 autos de infração lavrados na operação - que foi concluída na semana passada. Esta não é a primeira vez que a empresa foi implicada em caso de trabalho escravo".
Servidão por dívida, jornada exaustiva e aliciamento

A fiscalização constatou a existência de condições degradantes nas frentes de trabalho e nos alojamentos, de servidão por dívida, de jornada exaustiva e de aliciamento, o que fundamentou a caracterização do trabalho análogo à escravidão. "Uma das vítimas não tinha sequer 18 anos completos, confirma o auditor fiscal do trabalho que coordenou a inspeção, Humberto Célio Pereira". Os trabalhadores não dispunham de banheiros em condições de uso nem de água potável.

"O aliciamento foi verificado por meio da atuação do 'gato' (intermediador de mão de obra) Maurício Sobrinho Santos, que atraiu e recrutou trabalhadores nos municípios de Vargem Grande (MG), São João Paraíso (MG) e Boa Sorte (MG), além de Açailândia (MA), cidade que abriga a própria planta da Fergumar. A promessa, como de costume, era de condições de trabalho decente, evidentemente com a perspectiva de pagamento de fartos salários".

Condições degradantes de trabalho

"A rotina os trabalhadores começava às 4h da manhã, quando eles pegavam o transporte fornecido pelo empregador para a Fazenda Água Amarela. A labuta na propriedade rural começava por volta das 6h e seguia até 16h, com uma pequena pausa de 15min para o almoço. O retorno aos alojamentos só se dava depois das 17h. Quando da libertação, eles estavam trabalhando no local há cerca de três meses. O motorista do ônibus que recolhia os empregados não era habilitado e o transporte entre as frentes de trabalho era feito em caminhões e tratores de carga, de modo completamente irregular".

Todo o carvão vegetal produzido na área tinha como destino a usina da siderúrgica Fergumar, que informa em seu site que escoa 80% de sua produção para os EUA, especialmente para as indústrias de automóveis. Os 18 autos de infração foram direcionados à Fergumar, que não atendeu aos pedidos de esclarecimento. "A reportagem tentou contato com os responsáveis pela RPC e pela Reflorestar, mas não conseguiu parecer dos mesmos sobre o ocorrido. Também a senadora Kátia Abreu, que está temporariamente em licença médica do cargo parlamentar, não deu retorno até o fechamento desta matéria", conclui a Repórter Brasil.